Será que o comércio pode tirar o Camboja das trevas e conduzi-lo à prosperidade?

2 de dezembro de 2016 - Sorasak Pan, Ratnakar Adhikari

 

No verão passado, o Banco Mundial designou oficialmente o Camboja como ”país de rendimentos médios/baixos”, um passo que confirma a trajetória económica ascendente ao longo dos últimos 20 anos. 

 

Contudo, apesar desde novo estatuto, que o Camboja partilha com outras 51 economias, incluindo a Índia, o Vietname e as Filipinas, o país continua a ser associado, maioritariamente, a imagens mais sombrias: minas terrestres, guerra civil e o regime dos Khmers Vermelhos. Na melhor das hipóteses, talvez, é encarado como um novo destino de fronteira para o investimento e o turismo.

 

No entanto, para os economistas do desenvolvimento, esta reclassificação não é surpresa nenhuma: o desenvolvimento económico do Camboja valeu-lhe o título de “campeão olimpíco do desenvolvimento” em alguns quadrantes, graças a um crescimento sustentado de dois dígitos entre os anos de 1998 e 2015 (à exceção de 2009 e 2010, na sequência da crise financeira internacional).

Este crescimento é impressionante não somente pelo seu nível, mas também pela sua resiliência. O país tem vindo a crescer a uma taxa estável ao longo do tempo, o que o converte na sexta economia de crescimento mais rápido do mundo. Ainda que alguns argumentem que “começou a um baixo nível, pelo que é normal”, a singularidade do crescimento do Camboja reside na sua continuidade ao longo de 20 anos. Desde 1950, apenas 13 economias do mundo cresceram a uma taxa superior a 7% ao ano durante um quarto de século ou mais e o Camboja não é um país produtor de petróleo. O seu crescimento foi maioritariamente impulsionado pelo comércio e por uma procura estável por indústrias de mão-de-obra intensiva (têxteis e vestuário), uma indústria do turismo em florescimento, um crescimento na construção e, em menor medida, um aumento das exportações agrícolas. Emergiram também novas oportunidades na região do sudeste asiático, impulsionadas por uma maior integração no bloco económico da ASEAN.

 

O PIB per capita aumentou, a inflação tem-se mantido abaixo dos 5% e a taxa de pobreza baixou de 53% em 2004 para 16% em 2013. No entanto, existe ainda um longo caminho a percorrer até que o Camboja alcance a sua visão de se tornar uma nação com rendimentos médios/altos e cumpra todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas até 2030 e se transforme num país desenvolvido até 2050.

 

Este blogue foi redigido em coautoria por Sua Excelência o Sr. Pan Sorasak, Ministro do Comércio do Camboja, e pelo Sr. Ratnakar Adhikari, Diretor Executivo do Secretariado Executivo do Quadro Integrado Reforçado, e foi originalmente publicado segunda-feira, dia 24 de outubro de 2016, na Agenda do Fórum Económico Mundial, disponível em https://www.weforum.org/agenda/2016/10/can-trade-take-cambodia-from-darkness-to-prosperity/

 

Ligação para o texto: http://www.enhancedif.org/fr/node/4267