Samoa: reforçar o poder económico das mulheres, das aldeias e das culturas tradicionais para aceder a novos mercados

Em Samoa, apesar de se verificar uma elevada taxa de desemprego das mulheres, existe um crescente reconhecimento e compreensão de que autonomizar as mulheres e envolvê-las nas atividades económicas constitui um poderoso veículo para o desenvolvimento, permitindo impulsionar a produtividade e o crescimento ao nível nacional. O programa do QIR tem apoiado este reconhecimento, contribuindo para um modelo de desenvolvimento alinhado com os valores, a tradição e a cultura de Samoa.

 

O único plano nacional de Samoa dedicado ao setor do comércio, o Plano do Setor do Comércio e da Produção (2012-2016), apoiado pelo QIR, foi desenvolvido com base no Estudo de Diagnóstico sobre a Integração do Comércio de 2010. Samoa está a desenvolver a visão do setor com a ajuda do QIR para assegurar meios de subsistência equitativos e sustentáveis para toda a população, a fim de reforçar as oportunidades de produção e geração de rendimentos e de maximizar os ganhos decorrentes do comércio interno e externo. Foi também prestada assistência para desenvolver projetos-piloto para o empreendedorismo comunitário a fim de cultivar e promover produtos de nicho, como, por exemplo, o projeto Women in Business, que se dedica a prestar apoio a agricultores no domínio do cultivo e colheita de cocos para produzir Óleo de Coco Virgem para a Body Shop no mercado britânico.

 

O QIR está também a financiar o Programa de Apoio ao Setor do Comércio, lançado em 2014 enquanto parte do Pacote de Estímulo introduzido pelo Governo em 2010 como resposta ao tsunami de 2009 e aos desafios ligados à recuperação causados pelo Ciclone Evan, que atingiu Samoa nas semanas finais de 2012. O Programa de Apoio ao Setor do Comércio centra-se em ampliar a colaboração entre os maiores produtores agrícolas, detidos pelo Estado, as associações comerciais e as cooperativas de mulheres de forma a acrescentar valor ao cacau e ao coco (culturas tradicionais de Samoa) destinados à exportação. Uma componente central do projeto consiste em autonomizar as mulheres através das atividades da Women in Business Development Incorporated (WIBDI), que se dedica a reforçar a economia das aldeias de Samoa e dar resposta às desigualdades de género. Os programas de autonomia económica da WIBDI reconhecem o contributo distinto das mulheres, bem como dos homens, no apoio às mulheres ao assumirem as suas tarefas no âmbito das empresas agrícolas familiares.

 

O Programa de Apoio ao Setor do Comércio tem vindo a revitalizar as explorações de coco e de cacau de Samoa através do estabelecimento de instalações de transformação centralizadas e da aquisição das tecnologias adequadas para a investigação e desenvolvimento de produtos de nicho de coco e cacau de valor acrescentado. Todos estes esforços destinam-se a impulsionar o comércio inclusivo de produtos para Samoa e, por sua vez, minimizar o seu défice comercial. O Programa de Apoio ao Setor do Comércio forneceu sementeiras para a replantação de cacaueiros e coqueiros, cobrindo um terreno de 80 hectares na exploração Samoa Trust Estates Corporation (STEC). Está já em curso a plantação de mais um terreno com 120 hectares e foi prestada assistência à STEC para adquirir as sementeiras e ferramentas de cultivo e contratar grupos comunitários da aldeia para a realização das obras de manutenção e remoção necessárias na exploração.

 

Através da promoção da utilização de iniciativas de investigação e desenvolvimento especialmente desenvolvidas pela Organização de Investigação Científica de Samoa, o Programa de Apoio ao Setor do Comércio continuou a desenvolver novas variedades de produtos de coco e cacau, que serão transferidas para a WIBDI para comercialização assim que o armazém de transformação da WIBDI esteja concluído, em novembro de 2016. O armazém da WIBDI, financiado pelo QIR em 85%, oferece a oportunidade de centralizar os processos dos produtos biológicos no âmbito de um ambiente com certificação HACCP que acrescenta valor aos produtos para exportação a comercializar pela WIBDI. O armazém fornecerá também um espaço de armazenamento adequado para que os produtos fiquem prontos para expedição.

 

A WIBDI levou a cabo outras iniciativas de investigação práticas e identificou as variedades Criollo e Trinitario como as mais procuradas pelo mercado, bem como pelos mercados de exportação, e deu autonomia aos agricultores biológicos para identificarem e plantarem estas variedades. A WIBDI também organizou dois envios de cacau para a Austrália nos últimos 10 meses, estando planeados outros envios. Assim, a Austrália desenvolveu especificamente uma tablete de chocolate produzida a 100% com grãos de cacau de Samoa e tem ajudado bastante a comunidade local a envolver-se na cadeia de valor.

 

Relativamente ao coco, a WIBDI angariou mercados para o óleo de coco virgem biológico, que é exportado para a Body Shop do Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia. Foram estabelecidas instalações de produção em explorações com certificação biológica, onde os agricultores se encarregam da produção diária e, em troca, ganham rendimentos regulares, obtendo um elevado valor pelos seus cocos. A produção de cocos oferece também oportunidades de emprego aos habitantes das aldeias. A Organização de Investigação Científica de Samoa ajudou a WIBDI a testar cientificamente produtos e a assegurar a conformidade da qualidade, o que permitiu o desenvolvimento de sabonetes de coco biológicos, repelente de insetos e óleo de tamanu com infusão de coco, que goza de uma elevada procura no mercado local.

 

Enquanto um dos implementadores do projeto, em conjunto com o ministério das Finanças e o do Comércio, da Indústria e do Trabalho, a WIBDI adota uma abordagem familiar ao trabalho no âmbito da cultura de Samoa a fim de não criar um desequilíbrio de poder nas estruturas familiares, promovendo, em seu lugar, a coesão familiar e a transferência intergeracional de conhecimentos novos e tradicionais. Trabalhando em 183 aldeias de Samoa em agregados familiares que totalizam mais de 11.568 pessoas, das quais 43% são mulheres adultas e 57% homens adultos (estatísticas de 2015 da WIBDI), a WIBDI incentiva as mulheres que trabalham nos projetos a assumirem funções de liderança como líderes das aldeias, formadoras e recrutadoras. As mães são também encorajadas a transmitir os conhecimentos tradicionais às suas filhas no que se refere à produção de artesanato tradicional.

 

O Programa de Apoio ao Setor do Comércio também se centra no reforço da política setorial a fim de aprofundar a participação do setor privado e as ligações à indústria, o que resultou na iniciativa “Buy Samoa”. Como resultado desta iniciativa, foram realizadas feiras “Samoa Brand” na Nova Zelândia, Austrália e Samoa americana que exibiram produtos de Samoa. A “Buy Samoa Made Exhibition” foi lançada na Nova Zelândia em novembro de 2013 para ligar os bens e serviços de Samoa a potenciais mercados e atrair investimento direto estrangeiro. Por conseguinte, as exportações totais aumentaram 11% após o lançamento na Nova Zelândia e as exportações de taro duplicaram em 2014 em comparação com o ano anterior como resultado de um setor revitalizado do taro e de uma quota de mercado considerável na Nova Zelândia. Uma iniciativa semelhante foi lançada na Austrália em março de 2015 pela Associação de Produtores e Exportadores de Samoa, em conjunto com outros produtores, para exibir produtos de Samoa.  

 

Foram também atribuídos fundos ao Gabinete de Estatística de Samoa para reforçar e aprofundar a fiabilidade e validade das estatísticas do Setor do Comércio e da Produção a fim de promover o desenvolvimento de políticas baseadas em provas e a avaliação geral do impacto das iniciativas do Programa de Apoio ao Setor do Comércio. Foi também prestada assistência a organizações do setor privado, permitindo-lhes obter certificações ISO e HACCP, bem como introduzir códigos de barras nos seus produtos.

 

Estão em curso planos para continuar a desenvolver o comércio internacional, regional e nacional, especialmente desde que Samoa abandonou o estatuto de País Menos Avançado (PMA), em 2014, e aderiu à OMC, em 2012. Para construir uma sustentabilidade de longo prazo, Samoa continuou a dar passos para desenvolver uma abordagem governamental holística ao desenvolvimento de políticas e estratégias setoriais através de uma série de planos setoriais alicerçados em comités diretores setoriais.

 

No futuro, o apoio ao desenvolvimento das competências e conhecimentos técnicos locais e a obtenção de uma ajuda mais alargada dos parceiros serão fundamentais para elevar a agenda comercial inclusiva a novos níveis em Samoa. O QIR continua a prestar apoio ao país após este ter abandonado o estatuto de PMA a fim de alcançar o desenvolvimento económico inclusivo.

 

“Apoiamos pessoas que querem realmente ajudarem-se a si próprias, as pessoas determinadas que têm uma visão para as suas famílias. Ao longo dos anos aprendemos que o segredo para os empreendimentos de sucesso em Samoa reside em trabalhar com o agregado familiar. Sra. Adimaimalaga Tafuna’i, Cofundadora e Diretora Executiva da WIBDI.